Não demorou muito para que batessem na porta:
- Posso entrar? – Assenti. Ele entrou, sentou ao meu lado. – Então quer dizer que você vai experimentar seu vestido de casamento?
- Parece que sim. – Ele parecia triste, esgotado.
- Espero que encontre o ideal. – Ele foi sincero. – Me conta uma coisa, como foi que você conheceu esse babaca?
- Não fala assim dele. Alex é muito importante para mim.
- Desculpa se te ofendi, noivinha! – Ele estava mesmo irritado.
- Ei, não precisa agir assim. – Eu disse suavemente tocando em sua perna. – Eu vou resolver isso. Prometo. Só preciso de tempo.
- Isso está acabando comigo, (seu apelido)
- Eu sei. Não pense que estou feliz, porque não estou! – Eu disse, pegando em sua mão enlaçando seus dedos nos meus. – Mas respondendo à sua pergunta, eu o conheci no escritório de meu pai. Não sei se você sabe, mas até você me sequestrar, eu fazia a contabilidade da empresa do meu pai. Falando nisso, tenho que voltar a trabalhar!
- Você é contadora? - Ele perguntou admirado.
- O que? Não vai me dizer que você pensou que eu fosse uma patricinha mimada? - Cai na gargalhada.
- Eu nunca pensei isso de você. - Ele parecia sincero.
- Essa parte eu conto depois, ok?! - Eu ri e dei um selinho nele. - Alex estava procurando emprego. Ele foi indicado por um amigo do meu pai, eu acho. Quando o conheci, meu pai estava contratando ele. Embora tivesse acabado de se formar, tinha boas referências de estágio. - Contei. - Meu pai gostou dele de cara e eu também. – Disse com um sorriso amarelo.
- E a família dele? - Luan quis saber
. - Ele é órfão. - Disse. - Ele perdeu os pais ainda criança.
- E como foi, você sabe?
- Por que quer saber, Luan ?
- Me desculpa, (Seu apelido) . Eu só queria entender porque você se apaixonou por ele.
- Tudo bem. Parece que foi um acidente de carro. - Comecei a contar a história. - Os dois morreram na hora e Alex foi mandado para um orfanato, onde ficou até atingir a maior idade. - Eu realmente não gostava de falar disso. Era uma história dele e contar isso sem a permissão de Alex, para mim, era abusar de sua confiança e ainda mais contar para Luan. Me sentia péssima. - Ingressou na faculdade, se formou e foi trabalhar para meu pai. É isso.
- Poxa, que triste. - Ele realmente parecia compadecido da história de Alex.
- Pois é. Ele não gosta muito de tocar nesse assunto. Ele sofreu muito. E como já disse - continuei - o conheci lá. Foi paixão à primeira vista.
- Hum... - E ele ficou mudo
. - E você? - Perguntei - E sua família?
- O que tem?
- Quero saber mais sobre você.
- Hum. - Respirou fundo - Meus pais, são vivos e são casados até hoje, como os seus. E tenho um irmão se chama Leandro .
- Que bom! Gostaria de conhecê-los um dia. Será que terei essa honra? - Perguntei.
- Você realmente gostaria de conhecer meus pais? – Ele parecia surpreso.
- Quero saber tudo a seu respeito, tenente! – Disse com um sorriso nos lábios.
- Quando você quer ir? – Ele perguntou.
- Tá falando sério?
- Sim!
- É muito longe?
- De carro, umas 3 horas de viagem.
- Que desculpa posso arrumar?
- Diga que precisa de um tempo, e aí podemos passar o fim de semana juntos, o que acha?
- Para isso acontecer, preciso contar a verdade, abrir o jogo com todos
. - E por que não? Acho que já está na hora do Alex saber.
- Também acho... Só tenho medo da reação dele, do que ele pode fazer com você. - Disse preocupada.
- Amorzinho, você está esquecendo quem sou! - Ele nem se importou com minha preocupação.
- Eu posso contar meias verdades. - Ele bufou e se levantou. - Acho que está na hora da noivinha ir experimentar o vestido de noiva. - Disse ele amargurado. Saiu resmungando algo que não entendi.
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