Chegamos à árvore, ele esticou um lençol, colocou a cesta em cima dele e nos sentamos.
- Rastrear, como assim? – Perguntei intrigada. Que estranho. Por que ele iria querer rastrear quem o contratou?
- Tenho amigos... – Ele se limitou a dizer. - Quanto menos você souber, melhor.
- Você nunca me diz as coisas. - disse com raiva.
- Dona (seu nome) , a senhorita está se esquecendo de quem sou? – Perguntou ele brincando.
- Não sei porque, mas é muito fácil pra mim, esquecer que você também não presta e que está me prendendo aqui nesse lugar horrível, que você também quer o meu mal. - Falei com raiva, frustrada por realmente esquecer quem ele é. - Você é um bandido, um dos meus sequestradores.
- Não fale assim. Se eu quisesse seu mal, não teria brigado com meus amigos por sua causa. - Disse ele rispidamente.
- E por que você fez isso? - Minha voz era quase um sussurro.
- Porque não acho isso correto. Se aproveitar de mulheres indefesas não é coisa de homem. - Disse ele friamente. Não era o que eu queria ouvir. Na verdade, eu nem sei o que queria ouvir.
- Ah! - Foi tudo o que consegui dizer. Ele notou a decepção em minha voz.
- Vamos comer? Você deve estar com fome. - Ele parecia preocupado. - Você não come desde ontem.
- Estou sem fome. - Disse sem emoção. - Passei a noite inteira preparando essas coisas para você. Não faça desfeita, por favor. - Sua voz era triste, quase implorando. Ele pegou um pedaço de bolo de chocolate e me deu na boca. Passou o indicador pela minha bochecha e sorriu. - Sua pele é tão macia.
Foi difícil engolir o bolo. Minha boca ficou seca, sintoma de quando fico nervosa. Senti meu rosto em chamas, meu coração acelerou. Não consegui responder. Resisti ao impulso de abraça-lo e abaixei a cabeça. Ah carência!
- Vamos, coma mais. - Pegou mais um pedaço e me deu na boca. Ele exibia um sorriso incrível. Ele com certeza percebeu minha reação. Droga! Essa minha carência me fazendo passar vergonha.
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